No dia 29 de setembro de 2021 foi realizado pelo sistema “on line” o “21º ENCONTRO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA DAS IES PARTICULARES DA FUNADESP, organizado pela Rede Nacional de Dirigentes de Pós Graduação e Pesquisa das IES particulares, em parceria com o ENCONTRO ANUAL DO SEGMENTO DAS IES PARTICULARES DO FÓRUM NACIONAL DE PÓS GRADUAÇÃO E PESQUISA - FOPROP.

O tema da reunião foi “O SISTEMA DE AVALIAÇÃO DA CAPES: DESAFIOS E OPORTUNIDADES”, mas, para além do título proposto, o evento teve a intenção de discutir os desafios do sistema de avaliação da Capes, e teve foco nas Instituições Particulares de Ensino Superior. É, evidentemente, impossível socializar com os leitores o clima gratificante das discussões e o interesse dos mais de 200 participantes que se mantiveram “on line” das 9;00 às 12:00 da manhã, sendo que muitos se expressaram, pelo Chat. Houve um debate muito acalorado, propiciando um intercambio fecundo de ideias entre gestores de programas de pós graduação, docentes e professores interessados no tema. Assim, pensamos que é nosso dever buscar neste relato, socializar os acontecimentos, como prestação de contas de nosso trabalho e, principalmente, como incentivo e contribuição para novos debates sobre a questão da pós graduação nas IES particulares.

Participaram da mesa de abertura do evento o Dr. Cicero Ivan Gontijo - Diretor Superintendente da FUNADESP, o Prof. Dr. Carlos Henrique de Carvalho presidente do FOPROP, o Professor Dr. Diego Menezes, Coordenador do Segmento IES Particulares do FOPROP, e a Professora Dra. Helena Carvalho De Lorenzo Coordenação Nacional de Rede Nacional de Dirigentes de Pós-Graduação e Pesquisa das IES Particulares/ da Universidade de Araraquara, SP. As boas vindas aos participantes foi a tônica da mesa de abertura: Dr. Cicero Ivan Gontijo recebeu amavelmente os participantes inteirando-os sobre o papel e a missão da Funadesp, o que detalhou em palestra posterior; o Professor Dr. Carlos Henrique de Carvalho apontou para importância de que o Sistema de Avaliação da Capes seja considerado como um processo orgânico, em andamento, e que precisa ser repensado para atender o conjunto do sistema em suas especificidades, mas atender principalmente o desenvolvimento cientifico e tecnológico do país. Ressaltou o papel do FOPROP, que vem contribuindo bastante para as discussões. O Professor Dr. Diego Menezes apontou para a importância do tema em discussão e da parceria entre o Foprop e a Funadesp.

O pequeno relato abaixo apresentado é uma versão muito resumida da conferencia principal, ministrada pelo Professor Dr. Flavio Anastácio de Oliveira Camargo, Diretor de Avaliação da CAPES e dos debates apresentados pelos professores Dr. Nelson de Carvalho, da UNALFA, Dr. Marcelo Napimoga, da SLMANDIC e Dr. Jorge Feldens da UNICURITIBA. O debate foi mediado pelo Professor Dr. Diego Menezes, do FOPROP/UNIT.

O professor Flavio Camargo iniciou sua fala discorrendo sobre a origem e a importância histórica da DAV, que completa 30 anos, ressaltando os desafios e a presença de importantes intelectuais, como por exemplo a professora Eunice Durham e outros diretores de avaliação da Capes. Ressaltou que a avaliação se trata de um processo acumulativo de experiencias e conceitos. Quanto à avaliação de 2017/2020, informou que permanecem todos os critérios já acordados: 1 atendimento das sugestões da CA/PNPG, quanto às dimensões e critérios; 2- modelo único para todas as áreas (produção, egressos, qualis); 3. nota final única distribuída em escala nacional; 4- dimensões e categorias de analise uniformes para todas as áreas; 5- indicadores e critérios definidos pelas áreas; 6- manutenção das especificidades; 6- manutenção das especificidades das áreas; 7- operacionalização conhecida, finalizando os ajustes; 8- trata-se de um modelo já enxuto com três dimensões, que no passado já foram 7. O professor Flavio reconhece que os desafios são muitos. Assim que a atual avaliação estiver terminada, a DAV pretende avaliar a avaliação e discutir com a comunidade. Garante à comunidade que o trabalho que já foi feito deverá ser muito respeitado e considerado.

Quanto ao futuro, a atual diretoria pensa propor um MODELO DE AVALIAÇÃO MULTIDIMENSIONAL, que está sendo estruturado e deverá ter a participação da comunidade cientifica. Contudo, a atual diretoria adianta que considera importantes a simplificação e a redefinição dos indicadores de produção e de produtividade, bem como o próprio preenchimento do Relatório Sucupira. O professor Flavio menciona a importância de ferramentas para rever as ambiguidades de dados da plataforma Sucupira com relação a outras plataformas como a relação da capes com o CNPq, por exemplo. Segundo a Capes, estas ferramentas deverão facilitar muito a atuação dos coordenadores e as relações com as demais agências de fomento.

O professor Marcelo Napimoga trouxe importante contribuição ao debate, tendo como recorte as IES particulares. Mostrou a necessidade de desmistificar conceitos contra as IES particulares. Somos todos, partes de um único Sistema de Educação, Ciência e Tecnologia. Com dados recolhidos em 2018 sobre a participação da IES particulares na Capes, mostrou que o sistema particular de ensino de pós graduação (excluindo-se as instituições confessionais) é bastante jovem e teve sua trajetória media acelerada a partir de 2008. Com dados de 2018, mostra que somos 414 programas, sendo 164 profissionais e 250 acadêmicos. Estamos distribuídos em 43 das 49 áreas de organização de programas da Capes. Apenas no ultimo quadriênio 76 novos programas foram credenciados. Assim, não podemos ser penalizados e devemos ter clareza de que somos programas novos e estamos em franca ascensão tanto em notas, quanto em número de programas.

O professor Nelson de Carvalho discorreu sobre a questão da avaliação dos programas de PPG relacionada à questão do credenciamento de centros universitários no Brasil. As regras que hoje vigoram sobre o credenciamento de centros universitários foram alteradas ao longo do tempo. Até 2006, para que se lançasse na busca do recredenciamento como centro universitário, uma faculdade deveria dispor de ao menos um Programa Stricto Sensu reconhecido pela CAPES. A partir de 2006, essa obrigatoriedade deixou de existir, mas os indicadores advindos de um Programa Stricto Sensu beneficiavam sobremaneira a instituição de forma que existia então um incentivo para que investimentos em Pesquisa continuassem a ser feitos pelas instituições. Com o advento do Decreto 9.235 e a introdução dos novos instrumentos de avaliação institucional externa, com vistas ao recredenciamento e transformação de organização acadêmica, serão definidos dois tipos de centros universitários, aqueles que oferecem e os que não oferecem Pós Graduação Stricto Sensu, com a agravante de um rigor avaliativo maior sobre as primeiras. Tal medida prejudicou sobremaneira as instituições de pequeno porte que oferecem Pós graduação Stricto Sensu em diferentes regiões do país e que perderam o incentivo para continuar investindo em Pesquisa. Muito provavelmente chegarão ao descredenciamento de seus Programas de Pós Graduação, e assim, terão mais condições de concorrer em condições de igualdade com os demais centros universitários que ficam apenas na graduação. Esse é o risco que os centros universitários privados mais antigos, e que dependem do recebimento das semestralidades dos seus alunos, estão correndo atualmente, a partir do novo sistema de avaliação. Por isso, a nossa posição é de defesa para que as instituições que atuam na Pós Graduação possam contar com um bônus regulatório que os diferenciem positiva e não negativamente das demais.

O professor Jorge Feldens, frente aos desafios atuais da DAV/Capes com a situação criada pela Ação Civil Pública que interrompeu o desenvolvimento do processo de avaliação em curso referente ao quadriênio 2017/2020, apresentou algumas premissas para a reflexão. Em primeiro, considerou que mudanças na avaliação são necessárias. Então, a Capes está correta em mudar. As normativas e regulações têm sido tão severas que acabaram impor uma adaptação nos programas e os levaram adaptação e a a se sobrepor às outras dimensões também importantes, como a transmissão de tecnologia e engajamentos regional dos programas. Em segundo, destaca aspectos positivos de se considerar cinco dimensões nos fundamentos da universidade, ou seja, para além do ensino, pesquisa e extensão, levar em consideração a inovação e a transferência de tecnologia como forma de modernização e aproximação das universidades brasileiras às instituições estrangeiras. Assim, a avaliação multidimensional proposta pela Capes, também tem muito sentido, em sua opinião. Contudo, o professor destaca alguns desafios para a Capes decorrentes das mudanças propostas em meio do processo de preenchimento do relatório Sucupira, quando a comunidade foi surpreendida com critérios retroativos e sem transição. Dentre os principais aspectos mencionados pelo professor, as dificuldades em apontar a seleção de quatro produções por docentes considerando que os critérios Qualis, muitas vezes, são eminentemente comerciais e dominados por empresas internacionais, nem sempre acessíveis para todas as áreas do conhecimento. Então, o processo de avaliação proposto pela Capes deve ser mesmo muito avaliado, para garantir estabilidade à comunidade acadêmica.

A sessão foi encerrada por Helena Carvalho De Lorenzo, coordenadora Nacional de Rede Nacional de Dirigentes de Pós-Graduação e Pesquisa das IES Particulares, que fez uma pequena síntese das discussões e destacou o fato de os programas, públicos ou particulares, fazerem parte de um mesmo universo. Trata-se de um único conjunto e avaliado com as mesmas regras, enfatizou! Contudo, os programas nas IES particulares são mais jovens e têm percorrido uma trajetória distinta daquela que historicamente caracterizou as universidades públicas, quanto à formação do sistema de pós graduação no Brasil. Perguntando-se sobre o que explica os investimentos do sistema particular de ensino em pesquisa, ciência e tecnologia, ressaltou que, para além da concorrência e das questões comerciais, há um inegável interesse pela ciência, principalmente por parte de docentes e pesquisadores que investem seu tempo e talento na produção de conhecimento. Mas, por suas especificidades, a formação de redes de apoio aos programas e redes Inter programas passa a ser uma ferramenta essencial para traçar uma história diferenciada de cooperação e como forma de avançar em direção à consolidação dos programas e de formação de conhecimento nas instituições particulares de ensino.

Agradecendo a presença de todos, ressaltou a importância dos segmentos das IES particulares para o sistema de pós graduação brasileiro e do próprio sistema de avaliação para conduzi-lo à um sistema robusto. Para tanto precisamos de um calendário claro e regras bem definidas para que cada programa tenha a oportunidade de se planejar. O caminho é árduo e o esforço gigantesco. Mas, as IES particulares estão plenamente dispostas a percorre-lo. O mundo da pós graduação mudou. E as IES particulares são parte deste mundo.  

A Pós-Graduação stricto sensu no Brasil passou por extraordinária expansão nos últimos anos. Tem proporcionado expressivos avanços tanto na formação de mestres e doutores como na consolidação de uma base de pesquisa responsável por significativa produção de artigos científicos e tecnológicos, os quais têm gerado importantes produtos para a melhoria da qualidade de vida dos brasileiros.

Desde o ano de 2000, os dirigentes de Pós-graduação e Pesquisa das IES Particulares encontram-se anualmente para analisar e debater questões pertinentes à atuação das IES nesses segmentos e a sua integração com a Graduação e a Extensão. Tal evento constitui-se oportunidade já tradicional, desenvolvido sempre com a mediação da Funadesp.

Durante o XI Encontro Nacional, realizado em setembro de 2010 na Universidade Tiradentes- UNIT, em Aracaju, o grupo decidiu criar a Rede de Dirigentes de Pós-graduação e Pesquisa das IES Particulares, que objetiva promover formalmente sua interação e articulação, visando à interlocução com órgãos governamentais, empresas e terceiro setor bem como à criação de novas oportunidades para disseminação de informações, realização de estudos e de projetos conjuntos.

Clique para acesso ao Comitê de Coordenação e ao Regulamento da REDE PGP.

Desde o início da década de 2000, a FUNADESP promove encontros nacionais de dirigentes de Pós-graduação-PG e Pesquisa-PQ das IES particulares , criando oportunidades especiais para análises e debates quanto a seu desenvolvimento e perspectivas. A partir de 2007, tais reuniões passaram a focalizar conjuntamente Pós-graduação, Pesquisa e Extensão, dimensões integradas da Educação Superior.

 

Denominação

Mês/ano

Cidade

IES anfitriã

I Encontro de Pró-reitores/Coordenadores de PG das IES Particulares

Julho/2000

 

 

II Encontro de Pró-reitores/Coordenadores de PG das IES Particulares

Julho/2001

Brasília/DF

 

III Encontro Nacional de PG e PQ das IES Particulares

Maio/2002

Salvador/BA

Universidade Salvador-UNIFACS

IV Encontro Nacional de PG e PQ das IES Particulares

Setembro/2003

Salvador/BA

Universidade Salvador-UNIFACS

V  Encontro Nacional de PG e PQ das IES Particulares

Agosto/2004

Salvador/BA

Universidade Salvador-UNIFACS

VI Encontro Nacional de PG e PQ das IES Particulares

Agosto/2005

Salvador/BA

Universidade Salvador-UNIFACS

VII Encontro Nacional de PG e PQ das IES Particulares

Agosto/2006

Salvador/Ba

Universidade Salvador - UNIFACS

VIII Encontro Nacional de PG e PQ das IES Particulares e II Encontro Nacional do FOREXP

Agosto/2007

Curitiba/PR

Universidade Tuiuti do Paraná

IX Encontro Nacional de Pós-graduação e Pesquisa das IES Particulares e III Encontro Nacional do FOREXP

Setembro/2008

Belo Horizonte/MG

Universidade FUMEC

X Encontro Nacional de Pós-graduação e Pesquisa das IES Particulares e IV Encontro Nacional do FOREXP

Setembro/2009

Rio de Janeiro/RJ

Univ. do Grande Rio Prof. José de Souza Herdy-UNIGRANRIO

XI Encontro Nacional de Pós-graduação e Pesquisa das IES Particulares e V Encontro Nacional do FOREXP

Setembro/2010

Aracaju/SE

Universidade Tiradentes- UNIT

XII Encontro Nacional de Pós-graduação e Pesquisa das IES Particulares e VI Encontro Nacional do FOREXP

Setembro/2011

Canoas /RS

Centro Universitário La Salle

XIII Encontro Nacional de Pós-graduação e Pesquisa das IES Particulares e VII Encontro Nacional do FOREXP

Setembro/2012

Belo Horizonte/MG

Centro Universitário UNA

XIV Encontro Nacional de Pós-graduação e Pesquisa das IES Particulares e VIII Encontro Nacional do FOREXP

Outubro/2013

Rio de Janeiro/RJ

Universidade Veiga de Almeida - UVA

XV Encontro Nacional de Pós-graduação e Pesquisa das IES Particulares e IX Encontro Nacional do FOREXP

 Setembro/2014  Salvador/BA

Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública - BAHIANA

XVI Encontro Nacional de Pós-graduação e Pesquisa das IES Particulares e X Encontro Nacional do FOREXP  Setembro/2015 São Paulo/SP  Universidade Presbiteriana Mackenzie 
XVII Encontro Nacional de Pós-graduação e Pesquisa das IES Particulares e XI Encontro Nacional do FOREXP Junho/2016 Brasília/DF  Centro Universitário de Brasília - UniCEUB 
XVIII Encontro Nacional de Pós-graduação e Pesquisa das IES Particulares e XII Encontro Nacional do FOREXP Junho/2017 Aracaju/SE  Universidade Tiradentes - UNIT 
Encontro Nacional de Dirigentes de Graduação, Pós-graduação e Pesquisa, e de Extensão das IES Particulares Setembro/2018 Rio de Janeiro/RJ  Universidade Veiga de Almeida - UVA 
II Encontro Nacional de Dirigentes de Graduação, Pós-graduação e Pesquisa, e de Extensão das IES Particulares Setembro/2019 Curitiba/PR  Centro Universitário Curitiba - UNICURITIBA 

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