Publicado: Segunda, 12 Agosto 2019 16:00
  Autor: Prof. Paulo Cardim
  Fonte: Blog da Reitoria
  Link: https://www.belasartes.br/diretodareitoria/artigos/o-futuro-do-trabalho-e-o-desenvolvimento-de-habilidades

A Pearson é um empreendimento com sede na Inglaterra, fundada por Samuel Pearson em 1844, tendo construções como negócio. Tornou-se, nesse ramo, uma das mais importantes do planeta. Com as transformações no mundo dos negócios, a Pearson é considerada, neste século 21, a maior empresa de educação. 


Em recente pesquisa, a Pearson traça o panorama do mercado de trabalho em 2030, na Inglaterra e nos EUA. Os resultados são reveladores das tendências no mercado de trabalho e na educação ao final da terceira década deste século.

O portal Porvir – Inovações em educação aborda essa pesquisa – O futuro das habilidades – em entrevista com Amar Kumar, vice-presidente da Pearson na área de pesquisas, sobre tendências para os EUA e o Reino Unido, até 2030. O trabalho, contudo, tem reflexos em outros países, como Brasil, em pleno desenvolvimento, com revoluções na educação básica e superior e no ambiente empresarial e do trabalho, pois a globalização tende a diminuir as distâncias geográficas, com apoio nas tecnologias digitais de informação e comunicação.

Kumar alerta que a pesquisa foi concentrada nas habilidades que serão necessárias, até 2030. As habilidades, segundo ele, são mais previsíveis e úteis para as pessoas entenderem o que já está acontecendo no mundo trabalho e quais as tendências na próxima década. E afirma: “Eu posso desenvolver uma habilidade e praticá-la, mas não posso me preparar para uma profissão que ainda nem sei como vai se chamar. Por isso, ao invés de assumir o papel de vítima em relação a robôs tomando nossas funções e todo mundo ficando desempregado, é muito melhor tomar uma postura proativa para nos prepararmos”.

Para os Estados Unidos, a pesquisa identificou as seguintes possíveis áreas do trabalho que terão relevo até 2030: professores de educação infantil, ensino fundamental e para educação inclusiva; profissionais especialistas em cuidados e serviços para animais; advogados, juízes e profissionais relacionados; professores de ensino superior; engenheiros; profissionais de estética e cuidados pessoais; cientistas sociais e profissionais relacionados; conselheiros, assistentes sociais e outros especialistas em trabalho social e comunitário; bibliotecários, curadores e arquivistas; profissionais de entretenimento, intérpretes, atletas e relacionados.

Diante desse cenário, a educação tem extraordinário relevo em seus programas e cursos de graduação e pós-graduação, com ênfase na capacitação dos professores.

Ainda segundo Kumar, a pesquisa da Pearson mostra que há muitas tendências impactando as profissões, como a tecnologia, por exemplo, além da urbanização, com mudanças demográficas mais radicais, com a população mais jovem demandando maior número de professores. Nesse cenário, a Inteligência Artificial (IA) não elimina o professor. Pelo contrário, abre ao docente caminhos novos para conduzir a aprendizagem do educando, num processo integrativo, democrático e de maior relevo para a produtividade educacional, em todos os níveis.

“Todas essas situações estão entrelaçadas – afirma Amar Kumar – e, no final das contas, a maioria dos especialistas concordou que o uso da tecnologia na educação não irá diminuir a demanda por professores, e sim melhorar os resultados de aprendizado para os alunos. Com isso, professores podem ser mais assertivos e usar dados para personalizar o ensino”.

A partir dessas conclusões, chega-se a pensar que serão necessários mais educadores para programas de mentoria individuais em que estudantes podem ter acompanhamento por mais tempo. Nesse sentido, o trabalho de professor é colocado como uma das profissões mais importantes na década que se aproxima, quando poderá haver “muita demanda das pessoas por aprender e por aprender como aprender”.

Essa previsão, baseada em uma pesquisa séria, conduzida por uma empresa conceituada no mercado educacional, leva-nos a refletir, com maior seriedade e abrangência, na

formação dos professores para a educação básica e superior e no desenvolvimento de habilidades para o trabalho em ambientes diversificados, que exigem uma formação acadêmica e profissional mais ampla, como a competente gestão dos ambientes de aprendizagem, dos educandos com necessidades especiais, o uso eficiente e eficaz das tecnologias digitais de informação e comunicação e nos relacionamentos intra e interpessoais.

Está posto mais um desafio para as instituições de educação superior (IES), particulares ou públicas, que se dedicam às licenciaturas e aos programas e cursos de pós-graduação lato e stricto sensu destinados à formação de professores para o magistério na educação superior. 

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