Publicado: Quarta, 28 Janeiro 2015 17:29
  Fonte: Portal Porvir


Professor Pedro de Almeida Souza conta como uma metodologia baseada na resolução de problemas mudou o ensino de engenharia.

Na maioria das instituições de ensino superior predomina a aula expositiva em classes com grandes grupos. O professor detalha um conteúdo, pede um exercício de fixação e prepara as avaliações. Essa metodologia é passiva e não leva o estudante a uma aprendizagem significativa.

 

Nós víamos que os alunos estavam com dificuldade para entender os fenômenos e a teoria porque não sabiam o que acontece na prática. Tomando por base o PBL (sigla em inglês para aprendizagem baseada em problemas), método muito utilizado nos cursos de medicina e aplicado em pequenos grupos, criamos na Funorte (Faculdades Integradas do Norte de Minas) o “MicroPBL” para as engenharias integradas. A metodologia parte dos seguintes pressupostos: visão de todo para entender as partes, seguida por prática e demonstração para entender a teoria. Em todas as aulas temos um desafio diferente. 

Diário de Inovações
Crédito: markd800/Fotolia.com

 

Primeiramente, a sala é organizada em formato de um grande U e, no centro, posiciona-se uma das equipes selecionadas com seis estudantes − três de frente para os outros três (comporta-se 40 estudantes). A equipe é responsável por fazer a pesquisa, construir um dispositivo didáticos para comprovação das teorias e apresentá-lo aos demais antes que o professor traga o detalhamento do conteúdo.

Ao longo de oito anos, construí no laboratório um acervo de dispositivos feitos pelos próprios alunos e que são guardados para facilitar a explicação teórica para as turmas subsequentes. Nas prensas, por exemplo, os alunos conseguem quebrar um parafuso de seis milímetros. Para fazer isso por tração, é necessário usar uma tonelada, mas eles conseguem, por meio dos princípios de mecânica e da física, usar apenas 20 quilos. Assim, veem que o cálculo teórico foi confirmado na prática e conectam os conteúdos curriculares, de forma interdisciplinar, com o mundo real. 

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Esquema da sala de aula para apresentação de pesquisa

Crédito: Arquivo pessoal
 

Todo mundo acha que o aluno consegue chegar rapidamente na síntese, e isso não é real. Se ele passa pela análise antes da síntese, a aprendizagem acontece. Neste caso, a temperatura do aluno não está negativa e todos conseguem entender o que o professor está querendo dizer, pois contextualizam com o que já foi visto. 

O perfil dos egressos, o índice de desistência, o mapeamento do setor produtivo e as novas demandas tecnológicas disponíveis na internet foram o motor para a implementação da proposta. As novas publicações no Porvir sobre a inovação nas engenharias também serviram como grande incentivo. 

O principal resultado, até agora alcançado, é a nítida motivação por parte dos estudantes durante as aulas. Cada professor tem um experiência para relatar. As equipes de estudantes procuram melhoria contínua e têm apresentado excelentes trabalhos de pesquisa. É uma competição sadia em prol de uma melhor aprendizagem. 

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Crédito: Arquivo Pessoal

Os melhores indicadores de desempenho desta proposta são a menor evasão, melhores desempenhos quantitativos nas avaliações por parte dos estudantes, projetos integradores com a visão de mercado, melhores TCCs (Trabalhos de Conclusão de Curso) e, no futuro, maior número de engenheiros trabalhando na sua área de formação: visão intraempreendedora. 

Temos nos cursos aproximadamente 2.000 alunos e 80 professores. Após a aplicação do projeto piloto, vamos estender a metodologia para todos os outros cursos da área da saúde e humanas: 13.000 estudantes e 650 professores.

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