Publicado: Segunda, 10 Novembro 2014 17:37
  Autor: Paula Sória Quedi, de São Paulo
  Fonte: Jornal do Comércio


Para Benedito Neto, Ciência sem Fronteiras trará benefícios ao País

Para Benedito Neto, Ciência sem Fronteiras trará benefícios ao País

A internacionalização do Ensino Superior é o assunto do momento na educação. Não se trata, porém, de moda ou tendência que logo será esquecida. É uma realidade, a qual as universidades brasileiras estão aos poucos se adaptando. Além dos programas desenvolvidos pelas próprias instituições de ensino, empresas privadas, como o Banco Santander, por meio do programa Santander Universidades, têm investido fortemente nessa especialização dos estudantes. Não se pode esquecer também de um dos projetos mais ambiciosos do governo federal, o Ciência sem Fronteiras, que, até o fim deste ano, terá concedido 101 mil bolsas no exterior para alunos de graduação, pós-graduação, técnicos e professores.

 

Em São Paulo, duas das maiores universidades, a privada Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), e a pública estadual Universidade de São Paulo (USP), são dois exemplos do Sudeste do País que têm investido forte na prática. Segundo ambas, é um caminho sem volta, que só tende a agregar conhecimento e gerar desenvolvimento para o Brasil.

Benedito Guimarães Aguiar Neto, reitor da UPM, garante que, apesar das críticas de gestão ao programa do governo federal, o País só tem a ganhar com a experiência trazida do exterior pelos alunos. “O Brasil vai ganhar muito com esses intercâmbios, mas só poderemos contabilizar isso de fato, as consequências dessa experiência, daqui a alguns anos. Hoje, o que se sabe é que o aluno que retorna volta muito mais crítico em relação ao seu meio acadêmico.” A opinião é compartilhada pelo presidente da Agência USP de Cooperação Acadêmica Nacional e Internacional, Raul Machado Neto. Para ele, não são necessárias ferramentas para medir o conhecimento do estudante que retorna de uma vivência in loco. “Naturalmente, o sujeito volta mais crítico, e isso é um comportamento natural de quem passou por essa experiência, que acaba sendo difundida dentro de sala de aula”, argumenta.

Apesar de não haver um estudo sobre o desempenho dos estudantes no exterior, Aguiar Neto ressalta que uma análise prévia feita dentro da universidade mostra que os melhores resultados são dos estudantes bolsistas do Prouni. “Investimos fortemente nos bolsistas. Um dos problemas enfrentados para enviar os alunos ao exterior, principalmente a nações de língua inglesa, é a barreira do idioma. Para vencer esse entrave, criamos um programa chamado Protoefl, que consiste em habilitar os alunos no inglês para que eles façam parte da internacionalização.”

A UPM está em sétimo lugar em envio de estudantes ao exterior pelo Ciência sem Fronteiras. Entre as particulares, ocupa a primeira posição no estado de São Paulo. O destino de 70% dos estudantes são países de língua inglesa. “O que é mais levado em conta hoje para o ingresso no mercado de trabalho são as competências de ordem comportamental e não as técnicas”, argumenta Aguiar Neto.

Já a USP, somente em 2014, até o mês de setembro, enviou 2.823 alunos de graduação para o exterior, cujos principais destinos foram Estados Unidos, França e Inglaterra. Além de enviar, um dos objetivos da universidade para se tornar internacional é também receber alunos estrangeiros. Neste ano, já passaram pelo complexo universitário 1.593 estudantes de graduação, principalmente de França, Colômbia e Espanha. Desde o início do Ciência sem Fronteiras, 4.600 alunos já participaram. “O Ciência sem Fronteira, sem dúvida, representa uma ferramenta importantíssima de inclusão de pessoas sem poder aquisitivo que, de outo modo, não teriam essa oportunidade”, ressalta o presidente da Agência USP.

Para fortalecer esse processo, a instituição firmou, recentemente, um convênio com a Universidade de Buenos Aires e com a Universidade Nacional Autónoma de México. As três são as maiores da América Latina e somam, juntas, 840 mil alunos entre graduação e pós-graduação. Atualmente, a USP se destaca como o maior centro de pós-graduação do mundo, com 25 mil alunos ao ano.

A universidade estadual também possui um programa interno de intercâmbio, o Bolsa Emérito. O objetivo é contemplar alunos das áreas de humanidades, não beneficiadas pelo Ciência sem Fronteiras. Nos últimos dois anos, foram cerca de dois mil estudantes. Para tornar o programa viável para o maior número de candidatos, está sendo feito um esforço conjunto para capacitar os alunos na língua inglesa.

Em relação às críticas de gestão ao programa, como problemas de adaptação da grade curricular do aluno no exterior, a USP tem feito uma intermediação com a universidade destino. O que ocorreu em algumas situações, era de o aluno acabar cursando no exterior disciplinas já realizadas no Brasil. “Conversamos com a Capes e com o CNPq e relatamos o problema. Para tentar impedir esse tipo de situação, temos 50 escritórios de internacionalização nos cursos fazendo a intermediação”, relata Machado Neto.

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