Publicado: Segunda, 12 Maio 2014 17:04
  Fonte: Portal Belas Artes


O professor Claudio Haddad, doutor em economia pela Universidade de Chicago e engenheiro por formação, diretor do Insper – Instituto de Ensino e Pesquisa (São Paulo), concedeu extensa entrevista à revista Veja (Edição 2372, Ano 47, Nº 19, 7/5/2014) sobre as provas do Enade (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes). Ele resolveu fazer a prova de conhecimentos gerais, intrigado com o fraco desempenho dos seus alunos. Das oito questões, errou a metade, “um fiasco”, como ele mesmo reconhece.

 

Ciente de que havia dado as respostas corretas para os complexos e intricados questionamentos, resolveu fazer novamente a prova, agora, tentando responder como ele pensa que os formadores das questões considerariam as respostas certas. Nessa segunda tentativa, acertou sete das oito questões. Bingo!

Onde está o problema? O prof. Claudio Haddad identifica nas provas “viés ideológico, alta dose de subjetividade e um olhar simplista sobre as grandes questões da atualidade”. A prova não se propõe “a medir conhecimento, mas aferir o grau de alinhamento do candidato com a ideologia em voga em Brasília”.

As provas do Enade são elaboradas por equipes de professores altamente titulados na academia, a maioria em atuação nas universidades públicas. Então porque as questões “eram enunciados enormes”, contendo “alto grau de subjetividade”? “Para mim – responde o prof. Claudio Haddad –, está claro que o Enade deixa à mostra o modo torto de ver o mundo da maioria de nossos educadores. Eles são mergulhados nessa ideologia antiempresa, antilucro, antimercado já nas faculdades de pedagogia. Depois tratam de plantar essa visão na cabeça dos estudantes”.

O Enade, desde a sua criação pela Lei nº 10.861, de 2004, que  institui o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior, o Sinaes, apresenta um problema sério para que os seus resultados possam ser levados a sério: a falta de comprometimento do estudante com o resultado de seu desempenho nos exames. Mais recentemente, surgem diversos questionamentos sobre o conteúdo e a forma das provas do Exame, destacando-se essa recente entrevista do prof. Claudio Haddad, na qual ela revela a fragilidade das questões, que apresentam acentuado viés ideológico, “não se baseando em fatos objetivos”, mas “em crenças individuais”.

O objetivo do Enade é doutrinar? O Inep, órgão do Ministério da Educação encarregado de planejar e realizar o Enade deve atentar para essa e outras críticas consistentes, promovendo uma avaliação séria e meticulosa desse Exame, em todas as suas fases, incluindo a fórmula de cálculo dos conceitos, com a participação de consultores e auditores independentes, tendo por objetivo reformular os fundamentos que têm sido utilizados na formulação das provas, levando em consideração as críticas partidas de profissionais e professores com expressivo relevo no cenário da educação superior brasileira. Os dez anos do Sinaes são um motivo mais do que justo para que essa medida seja levada a efeito ao longo deste ano. É o que esperamos de um órgão da tradição e da responsabilidade do Inep.

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